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BLOQUEIO CRIATIVO, OU VAMOS REFLETIR?


Quem em sã consciência se propõe a escrever em meio a um bloqueio criativo? Se eu tivesse um coaching de criatividade ele diria, “você é seu próprio machado para quebrar a parede da criatividade”. Mas pensando bem, eu acho que nada do que tenho para escrever as pessoas querem ler. Digo isso analisando o que tem sido publicado por aí na internet. Com o perdão da palavra, só merda. Nada misturada com coisa nenhuma. Opinião de todo mundo, que todo mundo acredita e vira um salada. Já não se sabe mais o que é sério, o que é verdade e o que é piada nem o que é uma piada séria.


Chamem-me de tradicional ou antiquada, nem todos deveriam ter direito a voz, pelo menos não pública. Talvez eu seja uma sou uma delas. Inclusive acho que é por isso que tenho esse bloqueio criativo, não sei contribuir nessa bagunça toda e produzir algo que alguém se interesse em ler, algo relevante. Bom, algo relevante talvez, mas ninguém vai ler. Não sei falar de política, brigas de políticos, de partidos, de países, tenho uma incapacidade — e intolerância — tremenda em ficar olhando somente para o todo quando você não estende a mão para alguém que caiu bem ao seu lado. Civilidade egoísta.


Sabe-se há milhares de anos que a humanidade está quebrada. Sabe-se em partes, há os que acreditam na voz do coração, num bom sistema político, no veganismo e que se as famílias forem margarina, não haveria pobreza e violência. Eu realmente fico com bloqueio criativo com tantas fezes que entram pelos meus ouvidos, isso mesmo, com F. Como disse uma vez um sábio homem: “Haverá tempos muito difíceis. Porque as pessoas só amarão a si mesmas e ao dinheiro. Serão arrogantes e orgulhosas, zombarão de Deus, desobedecerão a seus pais e serão ingratas e profanas. Não terão afeição nem perdoarão; caluniarão outros e não terão autocontrole. Serão cruéis e odiarão o que é bom, trairão seus amigos, serão imprudentes e cheias de si e amarão os prazeres em vez de amar a Deus. Fique longe de gente assim!”. Conhecem alguém assim? Um vizinho, um colega de trabalho? Talvez você mesmo?


É possível que você não saiba quem escreveu isso. Mas com certeza sabe quem são os influencers da moda, que falam desde filosofia, arte, música, maquiagem, cachorros (que viraram mais importantes que seres humanos), entre outras quinquilharias. Nada contra cachorros, eu tenho uma e a amo muito. Mas é só um cachorro, não se compara a um ser humano.


Aí eu fico me perguntando, o que eu vou escrever? Para quem? Devem ter sobrado umas cem pessoas, se sobraram, ao redor do mundo, que poderiam gostar de refletir ao invés de engolir/produzir informação mastigada e cuspida. Quem sou eu para propor uma ideia dessa? O que sei é que não sou ninguém para dar grandes informações e ensinar grandes coisas, mas eu penso o tempo todo, minha cabeça está sempre a mil. Talvez por ser muito sensível o mundo me dói — e me irrita, pergunte ao meu marido. Sinto tudo à força de dez mil sóis. Alegria, raiva, dor, compaixão. Eu não entendo nada de política, de economia, de novas fontes de energia, eu entendo mais é de pessoas (por mais que elas me irritem muito às vezes), e as amo.


Sabe quando você vê poesia na tristeza, na alegria, na folha da árvore que voa com o vento, na solidão de uma tarde em casa, na saudade? Mas ninguém quer falar sobre nada que possa trazer um pouquinho de dor. Porque dor, Deus me livre! Sai fora. “Eu nasci para ser feliz”. Desculpe avisar meu amigo, não nasceu, não. Você não nasceu para ser feliz. Você nem nasceu para você mesmo. A sua vida não é sua e você não pode fazer o que quiser com ela, nem com o seu corpo, nem com o seu dinheiro. Você não sabe para onde você vai, se o plano que você fez vai dar certo, mesmo tendo estudado na Harvard e assistido muitos vídeos da TED Talk (ou do TED Talk, sei lá). Sua empresa pode falir, você pode perder o emprego, ficar tetraplégico ou pode morrer amanhã. Câncer, já ouviu falar? É melhor você refletir o que você realmente está fazendo nesse mundo hoje, porque amanhã é outro dia e pode ser tarde de mais. E como disse outro grande homem, “basta a cada dia o seu próprio mal”. Fica a pergunta, o que te move? Vamos refletir?


Simone Teider Bragantin

Enasfecc

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