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ATÉ QUE OS VIOLINOS CESSEM

*Por Simone Bragantin

Nem as estrelas da noite sabem as horas e ela corre. Corre fugindo do som dos violinos. A pupila dilata como flor que desabrocha na primavera e o coração dispara em queda livre. A agonia caminha por entre a pele e a carne, trazendo frio e medo. Ainda que corra, os violinos a perseguem com a mais linda canção.

A areia passa pelos dedos dos pés e as ondas levam a esperança embora, mas os violinos, esses nada lava, nada leva.

Recorda-se do momento em que criou as primeiras notas da canção e tenta destruí-la. Os violinos não permitem e ela corre. O frio do vento beija o calor de suas lágrimas, como num abraço consolador. Com os pés cansados e o coração debatendo-se há de correr, ouvindo a canção que um dia criou, tateando a dor e o vento há de correr, até que os violinos cessem.

Enasfecc

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