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AMOR = TEMPO + ATENÇÃO

Por Anikó Ouweneel-Tóth*


Com um treinamento físico e mental de vários meses, Marina Abramovic preparou-se para se concentrar por 3 meses, 6 dias por semana, 7 horas e meia por dia, diante dos visitantes que viriam sentar a sua frente. Essa performance foi parte da exposição que o Museu de Arte Moderna de Nova York dedicou ao trabalho dela em 2010. A exposição foi chamada “O artista está presente”.


Apesar da (ou graças à) mídia negativa de sua arte controversa, 850 mil visitantes foram vê-la. As pessoas dormiram na rua em frente ao museu. No horário de encerramento, uma nova fila começava a se formar para a manhã seguinte. Os guardas ficaram tão impressionados que depois do horário de trabalho também se juntavam à fila.


As reações foram incríveis. As pessoas se sentiam tocadas pela possibilidade de alguém que lhes olhassem dentro da alma, sem palavra ou movimento. Alguém que só olhava e ouvia, sem preocupar-se com o tempo, sem qualquer motivo especial e sem condenação. Um visitante chamou o olhar de “puro como ardósia".

Abramovic criou serenidade, quietude e harmonia; concentrando totalmente a sua atenção no outro.

O dom do tempo e da atenção se tornou uma mercadoria escassa em nossa cultura. “Goste de mim!”, gritam para nós milhares de mensagens e propagandas, todos os dias. Às vezes, um artista consegue colocar um espelho em frente ao tempo em que vivemos, procurando resposta junto com os que passam por ele. Às vezes eles encontram uma resposta.


Abramovic entendeu o que as pessoas do século 21 precisam: contato pessoal, único, limpo e pessoal; uma pessoa estar presente para a outra. E a arte se transformou em arte de viver. O amor se traduz em tempo e atenção!



*Este texto foi traduzido do site Artway.eu. O original pode ser lido no link http://www.artway.eu/content.php?id=1826&lang=en&action=show


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